quarta-feira, 1 de março de 2017

Quadro comparativo dos direitos dos empregados domésticos após a EC 72/2013 e da LC 150/2015



 DIREITOS DAS DOMÉSTICAS ANTES E DEPOIS DA EC 72/2013 E DA LC 150/2015

    Direito:                  Com a EC 72/2013:                                   Com a Lei 150/2015:


Conceito:


Não traz.
Art. 1°: Ao empregado doméstico, assim considerado aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana, aplica-se o disposto nesta Lei. 
Idade para o trabalho doméstico

Não tratou do assunto.
Apenas maiores de 18 anos podem exercer atividade como empregado doméstico. (art. 1°, parágrafo único)

FGTS
Antes era facultativo, mas a partir da EC passou a ser obrigatório, apenas aguardando regulamentação.

FGTS agora é obrigatório, de 8% ao mês. (art. 21)
INSS
Não tratou do assunto.
A parte do INSS do empregador caiu de 20% para 8% sobre o salário do empregado doméstico. A parte do empregado continua de 8 a 11%. (art. 34)
Indenização p/ dispensa
sem justa causa

Não previu, apenas deixou para lei regulamentar o FGTS.
Todo mês o empregador deve depositar mais 3,2% em conta específica, vinculada ao empregado. Se a dispensa for sem justa causa o empregado levanta, se for pedido de demissão ou justa causa, o empregador levanta. (art. 22)
Seguro Desemprego
Não tratou do assunto.
Passou a ser direito, no valor de um salário mínimo nacional, por até 3 meses, se tiver mais de 15 recolhimentos ao FGTS. (art. 26)

Jornada

Antes da EC 72/2013 não tinha fixação de jornada, e ela passou a garantir de imediato. Enquanto não saiu legislação, foi aplicada a CLT.
Após EC 72/2013 os domésticos passam a ter direito a limite de 8h diárias e 44h semanais, e os direitos decorrentes da extrapolação. (Art. 2°) Agora pode também jornada 12 X 36, com pactuação individual (art. 10)
Controle da Jornada
Estendeu esse direito.
Obrigatório o registro por qualquer meio idôneo (art. 12)
Adicional Noturno
Estendeu esse direito, mas condicionou à lei complementar.
A lei dispõe, mas em nada inova, utilizando as regras do empregado comum. (art. 14)

Intervalo intrajornada
Antes da EC 72/2013 não tinha fixação de jornada, e ela passou a garantir de imediato. Enquanto não saiu legislação, foi aplicada a CLT.
Passou a ter direito de no mínimo 1 e no máximo 2 horas. Há possibilidade de redução, mediante acordo prévio por escrito entre empregado e empregador. (art. 13)
Horas Extras e compensação
Antes da EC 72/2013 não tinha fixação de jornada, e ela passou a garantir de imediato. Enquanto não saiu legislação, foi aplicada a CLT.
As 40 primeiras horas extras no mês devem ser pagas em dinheiro, e aquelas acima disso podem ser compensadas dentro do período máximo de um ano. (art. 2°)
Trabalho em regime de tempo parcial
Antes da EC 72/2013 não tinha fixação de jornada, e ela passou a garantir de imediato. Enquanto não saiu legislação, foi aplicada a CLT.
No máximo 25 horas semanais, com salário proporcional e possibilidade de 1 hora extra diária mediante acordo individual escrito, com limite de 6 horas diárias. As férias também são proporcionais, idêntico à CLT. (art. 3°)



Viagens junto ao empregador




Não tratou do assunto.
As horas de trabalho excedidas pelo empregado durante viagens com a família do empregador poderão ser compensadas após a viagem. (art. 11) Deve ser previamente pactuado, por escrito.
(Art. 11, §1°)
Remuneração maior, de no mínimo 25%.
(Art. 11, §2°)
A remuneração será acrescida em 25% no período, e não poderá ter desconto de alimentação, transporte e hospedagem. (art. 18)
Contratação temporária
Não tratou do assunto.
Contrato de experiência e para atender necessidades familiares de natureza transitória e para substituição temporária de empregado doméstico com contrato de trabalho interrompido ou suspenso, este último no limite de 2 anos. (art. 4°)

SAT

Estendeu esse direito, mas condicionou à lei complementar.
Passou a ser direito. O empregador deve recolher, junto com a contribuição social, 0,8 % do salário do empregado doméstico. (art. 34, III)

Salário-Família

Não tratou do assunto.
Passou a prever, nos mesmos moldes que o do trabalhador comum. (art. 37, que alterou o artigo 65 da Lei 8.213/91)



Simples dos domésticos



Não tratou do assunto.
Criou o supersimples das domésticas, onde o empregador pode todos os recolhimentos em guia única, como FGTS, indenização de 3,2% de dispensa, FGTS, INSS, SAT, e IRPF do empregado doméstico.
Ainda será regulamentado sobre os detalhes do pagamento, então por enquanto mantem-se a forma comum de pagamento. (arts. 31 a 35)

Férias

Já era previsto.
Podem ser fracionadas em dois períodos, sendo um dos períodos de no mínimo 14 dias, e abonadas até 1/3, desde que haja solicitação em até 30 dias antes do término do período aquisitivo. (Art. 17)

Estes são apenas alguns dos direitos, que reputo mais impactantes para os empregados e empregadores domésticos, e para os operadores do direito do trabalho.


ARTIGO - Responsabilidade civil do empregador pela ausência de registro do contrato de trabalho

Evandro de Oliveira Tinti (*)

INTRODUÇÃO


Mesmo com o advento da Constituição Federal de 1988, que positivou inúmeros direitos humanos como direitos fundamentais, bem como, especificamente, diversos direitos sociais, é visível atualmente que ainda há uma grande distância entre o texto constitucional e sua aplicação efetiva.
Inúmeros direitos são desrespeitados, diversas vezes até pelo Poder Público, mas principalmente por alguns empresários que, buscando lucro a qualquer preço, desvalorizam a atividade realizada pelo trabalhador, sem se dar conta da importância deste último para a cadeia produtiva do sistema capitalista, que vai desde o início da produção até o consequente lucro.
E partindo desta premissa, estes empresários acabam por não registrar e anotar devidamente o contrato de trabalho do empregado em sua Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), o que resulta o pagamento somente do salário, sem outros direitos provenientes da formalização do contrato, tais como contribuições sociais, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, Seguro de Acidente de Trabalho, Seguro-Desemprego, PIS, dentre outros, o que poderia causar diversos transtornos ao empregado, que fica impedido de usufruir a plenitude de seus direitos.
Do mesmo modo, além da supressão de diversos direitos do empregado, também é possível cogitar-se a possibilidade da ocorrência de um dano moral ao trabalhador, causado pela ausência do registro na CTPS, o que justifica este estudo aprofundado da responsabilidade civil do empregador nesta situação, a partir do método dedutivo, com análise de doutrinas e jurisprudências que guardem relação com o tema.
Assim, a presente pesquisa tem por escopo averiguar a possibilidade da condenação do empregador em indenizar o empregado pelo dano moral causado com a ausência de registro em sua CTPS, bem como discorrer sobre os efeitos que a repreensão desta prática pelo Poder Público poderia trazer à sociedade, primeiro pelo aumento da arrecadação de impostos sonegados a partir da informalidade, também pela reparação dos danos causados aos empregados, mas, principalmente, pela efetivação e direitos fundamentais e sociais do trabalhador.


1 O DANO MORAL NA RELAÇÃO DE EMPREGO


A Constituição Federal de 1988 instituiu alguns princípios e garantias fundamentais sobre a reparação de danos. Em seu artigo 5°, inciso X, está expresso que: “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.”
O novo Código Civil, lastreado pela linha principiológica constitucional, apresentou grandes avanços no que tange à indenização decorrente de ato ilícito. O artigo 186 prescreve: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Em conseguinte, o artigo 927 garante ao lesado a reparação do dano, dispondo: “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”.
Assim, nota-se que o ordenamento jurídico brasileiro garante a todo aquele que sofrer dano, seja moral ou material, a devida reparação, o que também serve de desmotivador de repetição de condutas e punição do agente ofensor.
É este o entendimento que prevalece na doutrina e na jurisprudência:

O dano moral tem um duplo caráter: compensatório para a vítima e punitivo para o ofensor. Ao mesmo tempo em que serve de lenitivo, de consolo, de uma espécie de compensação para atenuação do sofrimento havido, atua como sanção ao lesante, como fator de desestímulo, a fim de que não volte a praticar atos lesivos à personalidade de outrem. [1]

Deste trecho infere-se que, muito embora seja difícil especificar a intensidade da dor psicológica sofrida, é necessária ao menos uma atenuação do sofrimento da vítima do dano moral, não sendo menos importante o caráter repreensivo da indenização, o que servirá de exemplo ao causador do dano e aos demais membros da sociedade, para que se abstenham de realizar certas condutas potencialmente ofensivas.
E na relação de emprego é perfeitamente possível a aplicação de dispositivos do Direito Civil, tendo em vista o caráter contratual que está presente no vínculo entre empregado e empregador, inclusive o instituto do dano moral, quando o dano for oriundo da relação de emprego, além de estarem presentes os elementos fático-jurídicos para caracterização do dano moral.
A doutrina é pacífica ao tratar do assunto. Carlos Roberto Gonçalves demonstra que: “O empregador responde pela indenização do dano moral causado ao empregado, porquanto a honra e a imagem de qualquer pessoa são invioláveis (Art. 5°, X, CF).” [2]
É indiscutível ainda que a competência para julgamento de questões relativas ao tema é da Justiça do Trabalho, conforme sedimentado na Súmula 392, que dispõe: “Nos termos do art. 114 da CF/1988, a Justiça do Trabalho é competente para dirimir controvérsias referentes à indenização por dano moral, quando decorrente da relação de trabalho.”
Assim, é pacífico o entendimento doutrinário e jurisprudencial que garante a possibilidade da indenização por dano moral decorrente da relação de emprego, cujo pleito deverá ser analisado pela Justiça do Trabalho.


2 DO DEVER DO EMPREGADOR DE REGISTRAR A CARTEIRA DE TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL


A Consolidação das Leis do Trabalho traz em seu bojo proteção especial à CTPS, em seus artigos 13 a 56, tendo em vista a importância deste documento para o empregado e para o contrato de trabalho.
A CLT garante, em seu artigo 29, que é obrigatório o registro do contrato de trabalho pelo empregador logo que admitir o empregado, no prazo de 48 horas, devendo nela anotar a data da admissão, a remuneração, e eventuais condições especiais do contrato de trabalho, como nas hipóteses de contrato a termo, dentre outras situações excepcionais ou relevantes à relação jurídica ali formalizada.
Na ausência de alguma destas formalidades, a própria CLT, em seu artigo 36 e seguintes, garante ao empregado, individualmente ou por seu sindicato, a possibilidade de reclamação perante o Ministério do Trabalho e Emprego para obrigar o empregador a cumprir a legislação.
Todavia, tal instrumento é pouco utilizado pelos sindicatos e muito menos pelos empregados. Talvez pela ausência de conhecimento desta possibilidade, mas principalmente pela condição de hipossuficiência que o empregado se encontra perante o empregador, que lhe retira a segurança de se insurgir contra a empresa durante o vínculo de emprego.
Importante observar, ainda, que é prevista punição administrativa, no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego, que deve impor ao empregador que não efetuar o registro do empregado a multa de meio salário mínimo, para cada um deles, nos termos do artigo 47 da CLT.
E, do mesmo modo, prevê a CLT, no artigo §4°, do artigo 29, que: “É vedado ao empregador efetuar anotações desabonadoras à conduta do empregado em sua Carteira de Trabalho e Previdência Social.”, cujo descumprimento é passível de multa equivalente à metade do valor do salário mínimo regional, nos termos do §5° deste mesmo dispositivo legal e do artigo 52 da CLT.
Neste mesmo sentido, observando a importância da formalização do contrato de trabalho, e na tentativa de desmotivar estas condutas por partes de empregadores, o artigo 297 do Código Penal, garante de que a ausência de registro de empregados configura-se como crime, punível com pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa.
Nota-se, a partir destas disposições legais, o quanto a CTPS é importante ao empregado, e para a sociedade, uma vez que é por meio dela que se formaliza o contrato de trabalho para todos os fins de direito, sendo a identidade da pessoa como empregado, além de representar a dignidade do trabalhador, que se insere como participante ativo da sociedade.
Deste modo, a legislação trabalhista defende a efetivação dos direitos fundamentais e sociais dos trabalhadores, inclusive a dignidade humana e o valor social do trabalho, que são fundamentos da república previstos nos incisos III e IV, respectivamente, do artigo 1° da Constituição Federal, sendo uma das formas desta efetividade o registro do contrato de trabalho na CTPS do trabalhador.


3 CONSEQUÊNCIAS DA AUSÊNCIA DE REGISTRO DO CONTRATO DE TRABALHO NA CTPS


Não havendo registro do contrato de trabalho, mesmo com a efetiva prestação de serviços enquadrada nos elementos fático-jurídicos da relação de emprego (trabalho subordinado, prestado pessoalmente, por pessoa física, de maneira não eventual e mediante remuneração) o empregado passa a sofrer diversas ofensas a seus direitos básicos, conforme explanado oportunamente.
Mesmo diante destas situações, durante o contrato de trabalho, o empregado termina por não encontrar meios para se insurgir diretamente contra o empregador, para pedir o registro de seu contrato, diante da sua posição de hipossuficiência, que não é somente econômica, mas é também social.
Vê-se, por isso, que uma saída do trabalhador seria a propositura de Reclamação Trabalhista, normalmente após o encerramento do vínculo de emprego, para pleitear o que deveria ter sido realizado no início da prestação laboral, há meses, ou até anos atrás: o registro do contrato de trabalho e os direitos dele decorrentes, como contribuições previdenciárias e FGTS em atraso.
Porém, há sempre o risco de não conseguir se corrigir judicialmente a situação de forma plena. Primeiro pela ausência de provas contundentes e aptas a comprovar o vínculo de emprego, o que resulta muitas vezes na impossibilidade de se reconhecer um vínculo que realmente existiu, mas também pelos danos que a ausência de registro ocasionou ao empregado, pois o registro é retroativo, mas a proteção previdenciária, os benefícios do sistema financeiro e habitacional exclusivos para quem prova estar empregado, dentre outros direitos oriundos do registro, não voltam no tempo.
Há também possibilidade expressa de se pleitear a intervenção do Ministério do Trabalho e Emprego por iniciativa do trabalhador ou do sindicato, que além de multar a empresa, também pode determinar o registro da CTPS do empregado.
Claro que, na prática, ambas as hipóteses elencadas acima não encontram efetividade plena, por conta das peculiaridades da relação jurídica entre empregado e empregador, que naturalmente se mostra desigual e desproporcional em diversos fatores.
Por isso, uma possibilidade ao alcance do empregado seria a rescisão indireta do contrato de trabalho, uma vez que, havendo descumprimento contratual por parte do empregador, emergiria a hipótese prevista no artigo 483, “d” da CLT, que dispõe:

Art. 483 - O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando:
(...)
d) não cumprir o empregador as obrigações do contrato;
(...)

Entretanto, esta também é uma hipótese que nem sempre se adequa à realidade do trabalhador, pois como este necessita do emprego, muitas vezes sofre calado os efeitos da ausência do registro em sua CTPS.
Deste modo, deve se buscar outros meios jurídicos para se buscar a efetividade do direito do empregado ao devido registro em CTPS e todos os direitos decorrentes da formalização do contrato de emprego.
Assim, além da imposição do registro do contrato de trabalho na CTPS do trabalhador pelo Ministério do Trabalho e Emprego e do reconhecimento da rescisão indireta do contrato de trabalho pela via judicial, outra possível consequência jurídica advinda desta situação seria a indenização por danos morais por ele sofridos, conforme será tratado de forma mais profunda no tópico subsequente.


4 DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR PELA AUSÊNCIA DE REGISTRO DO CONTRATO DE TRABALHO


Basicamente, há duas correntes jurisprudenciais quanto à possibilidade de indenização pelo dano moral, na hipótese de ausência de registro do empregado.
A primeira defende que é devida referida indenização apenas se ficar comprovado o dano ao trabalhador, a conduta culposa do empregador e o nexo causal entre ambos.
Nesse sentido:
"RECURSO DE REVISTA. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE REGISTRO DO CONTRATO DE TRABALHO NA CTPS. Para que se configure ato ilícito a justificar a reparação de ordem moral, é necessário que a conduta do empregador acarrete efetivo prejuízo imaterial ao trabalhador, direto ou indireto, o que não ocorre na espécie. A recusa de anotação do contrato de emprego na CTPS, quando se controvertem em Juízo as hipóteses de empregado ou de trabalhador autônomo, não enseja o denominado -damnun in re ipsa-. Precedentes. Recurso de revista parcialmente conhecido e provido." (TST. RR - 171900-70.2004.5.02.0021, 1ª Turma, Relator: Walmir Oliveira da Costa, d. j. 27/02/2013, d. p. 08/03/2013.)

RECURSO DE REVISTA. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE ANOTAÇÃO DA CTPS. Ainda que obrigatórias as anotações na CTPS, que se traduzem em uma obrigação imposta ao empregador imanada de norma de ordem pública e cogente prevista no artigo 29 da CLT, sua falta não implica, por presunção, dano moral ao empregado, que não se furta de comprovar o necessário prejuízo sofrido, o constrangimento ou reprovação social capaz de lhe assegurar a respectiva reparação. A consequência da ausência de anotação na CTPS impõe sua retificação, mediante determinação judicial. Recurso de revista conhecido e desprovido. (TST. RR - 147200-11.2007.5.01.0067, 6ª Turma, Relator: Aloysio Corrêa da Veiga, d. j. 14/04/2010, d. p. 23/04/2010).

DANO MORAL - AUSÊNCIA DE ANOTAÇÃO DA CTPS. Mesmo que necessárias as anotações na CTPS, sua falta não implica, presumidamente, dano moral ao empregado, que deve comprovar os requisitos da reparação civil (dano, culpa e nexo causal). Recurso de revista conhecido e desprovido. (TST. RR - 101900-77.2007.5.03.0032, 2ª Turma, Relator: Renato de Lacerda Paiva, d. j. 22/06/2011, d. p. 01/07/2011).

DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE REGISTRO EM CTPS E NÃO PAGAMENTO DE VERBAS RESCISÓRIAS. NÃO COMPROVAÇÃO DE SITUAÇÕES HUMILHANTES E VEXATÓRIAS. INDENIZAÇÃO INDEVIDA. É certo que a conduta da reclamada é reprovável e merece censura. No entanto, também é certo que o período do contrato de trabalho, sem registro, já foi reconhecido (com determinação de registro em CTPS) e o inadimplemento de diferenças de verbas rescisórias já foi reparado com a determinação judicial de pagamento de referidas parcelas.
De todo modo, não houve a comprovação de que o autor sofreu situações humilhantes e vexatórias, valendo-se destacar que não foi ouvida uma testemunha sequer na presente reclamação, tendo o reclamante requerido o encerramento da instrução processual. Recurso ordinário obreiro não provido. (TRT15. RO – 0000224-86.2011.5.15.0105. 2ª Turma, Relatora: Ana Amarylis Vivacqua de Oliveira Gulla, d. j. 22/10/2013, d. p. 30/10/2013).

E a segunda corrente jurisprudencial sustenta que tal indenização seria devida tão somente pela inexistência de registro na CTPS, devido à presunção do prejuízo e pela impossibilidade de aferir quais os danos causados por essa omissão e a sua extensão.
Nesse sentido:

INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. AUSÊNCIA DE ANOTAÇÃO DO CONTRATO NA CTPS. O quadro descrito no acórdão regional permite concluir pela existência de dano moral, em face da inobservância, pelo empregador, do direito primordial do trabalhador de ter o seu contrato de trabalho anotado em carteira de trabalho e previdência social, que lhe possibilita o acesso aos benefícios assegurados somente àqueles formalmente registrados. Recurso de revista não conhecido. (TST. RR - 88200-50.2006.5.02.0047, 3ª Turma, Relator: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, d. j. 11/12/2013, d. p. 13/12/2013).

"RECURSO DE REVISTA. DANO MORAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DANO (alegação de violação dos artigos 1º, III e 5º, V e X da CF/88 e divergência jurisprudencial). O dano moral pode ser definido como lesão à -esfera personalíssima da pessoa- ou, para citar o Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, pode ser conceituado como -violação do direito à dignidade humana-. Há possibilidade de que ele se evidencie no -desprestígio-, -na desconsideração social-, -no descrédito à reputação- e -na humilhação pública- do indivíduo. Mas a existência do dano moral fica configurada quando ele é presumível, ou seja, quando, em face da ocorrência de determinado fato ofensivo, o sofrimento íntimo (dano/prejuízo moral) é esperado, provável, razoavelmente deduzido. Sendo assim, sua existência decorre de uma presunção hominis, é fruto da intuição de qualquer um que, exercitando a capacidade de empatia e munido de certa imaginação, tenta colocar-se no lugar daquele que foi ofendido em sua dignidade, para assim concluir pela possibilidade de sofrimento psíquico. Essa presunção acerca da existência (ou não) do dano moral, em razão de algum acontecimento danoso, somente é possível, porque os indivíduos, a par de todas as suas particularidades e idiossincrasias (que é o que os tornam indivíduos), partilham da mesma condição humana e, em última análise, quase sempre sofrem (em maior ou menor grau) pelos mesmos motivos. A 'prova' do dano moral, portanto, é a existência do próprio fato danoso - a partir do qual se presume sua existência. Recurso de revista conhecido e provido." (TST. RR-21400-53.2005.5.05.0027, 2ª Turma, Relator Ministro Renato de Lacerda Paiva, d. j. 28/03/2012, d. p. 13/04/2012).

DANO MORAL. FALTA DE ANOTAÇÃO NA CTPS. RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO DE EMPREGO EM JUÍZO. Insurge-se a Reclamada contra o deferimento de indenização por danos morais decorrentes da ausência de registro em CTPS, sob o fundamento de que não restou demonstrado prejuízo de ordem moral, sendo controvertida a existência da relação trabalhista. Não há dúvida quanto à ilegalidade da conduta da Recorrente, até mesmo pelo reconhecimento da relação de empregado judicialmente. Resta saber se a sua atitude enseja o pagamento de indenização por danos morais. A carteira de trabalho - CTPS é documento de identificação pessoal e de total relevância para o exercício de qualquer emprego ou de atividade por conta própria, pois registra todo o histórico profissional do trabalhador e também garante o acesso a alguns dos principais direitos trabalhistas tais como seguro desemprego e benefícios previdenciários. Deste modo, a postura da Reclamada em ocultar a relação trabalhista viola o direito à honra e dignidade humana do trabalhador e da sua família, que sofre limitação na comprovação correta da sua vida funcional e, principalmente, no acesso a inúmeros direitos trabalhistas, essenciais na manutenção da sua vida e de seus dependentes. Em matéria de prova, o da no moral não é suscetível de comprovação, diante da impossibilidade de se fazer a demonstração, no processo judicial, da dor, do sofrimento e da angústia do trabalhador. Portanto, trata-se de "damnum in re ipsa", ou seja, o dano moral é decorrência do próprio fato ofensivo. Assim, comprovado o evento lesivo, tem-se como consequência lógica a configuração de dano moral, surgindo à obrigação do pagamento de indenização, nos termos do art. 5º, X, da Constituição Federal, diante da ofensa aos direitos da personalidade. Rejeito o apelo. (TRT02. RO-0002662-24.2012.5.02.0037, 14ª Turma, Relator Francisco Ferreira Jorge Neto, d. j. 07/11/2013, d. p. 18/11/2013).

DANO MORAL POR AUSÊNCIA DE REGISTRO. O trabalhador sem registro fica marginalizado do mercado. Não contribui para a previdência e não é incluído no FGTS e programas governamentais. Tem dificuldade de abrir ou manter conta bancária, obter referência, crédito etc, ficando em situação de permanente insegurança e desrespeito. Só o registro pela via judicial não é suficiente para reparar as lesões decorrentes dessa situação adversa, em que o trabalhador permanece sem registro, como "clandestino" em face do mercado de trabalho, à margem do aparato protetivo legal e previdenciário. In casu, sem identidade como trabalhador, o reclamante teve negada sua existência perante o mundo do trabalho. Durante toda a relação viu-se submetido a humilhante anonimato, negado pela empresa que lhe recusou a identificação funcional. A língua espanhola registra o verbo ningunear, na acepção de "aniquilar, tornar ninguém". A ausência deliberada do registro, apelidada de informalidade, é sinônimo de nulificação, negação não apenas de direitos básicos mas da própria pessoa do trabalhador, traduzindo-se em exclusão social. Devida a indenização por dano moral. (TRT02. RO-0033100-94.2010.5.02.0201, 4ª Turma, Relator Ricardo Arthur Costa e Trigueiros, d. j. 22/03/2011, d. p. 01/04/2011).

Tais jurisprudências tratam do dano moral in re ipsa, que não necessita de prova da ocorrência do dano concreto, mas apenas a demonstração da conduta ilícita, a partir da qual se verifica ofensa aos direitos da personalidade.
Sobre este tema, assim explana o autor Sérgio Cavalieri Filho:

Neste ponto a razão se coloca ao lado daqueles que entendem que o dano moral está ínsito na própria ofensa, decorre da gravidade do ilícito em si. Se a ofensa é grave e de repercussão, por si só justifica a concessão de uma satisfação de ordem pecuniária ao lesado. Em outras palavras, o dano moral existe in re ipsa; deriva inexoravelmente do próprio fato ofensivo, de tal modo que, provada a ofensa, ipso facto está demonstrado o dano moral à guisa de uma presunção natural, uma presunção hominis ou facti, que decorre das regras da experiência comum. Assim, por exemplo, provada a perda de um filho, do cônjuge, ou de outro ente querido, não há que se exigir a prova do sofrimento, porque isso decorre do próprio fato de acordo com as regras de experiência comum; provado que a vítima teve o seu nome aviltado, ou a sua imagem vilipendiada, nada mais ser-lhe-á exigido provar, por isso que o dano moral está in re ipsa; decorre inexoravelmente da gravidade do próprio fato ofensivo, de sorte que, provado o fato, provado está o dano moral.[3]

Portanto, a partir destes julgados, compreende-se que a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho e dos Tribunais Regionais do Trabalho ainda é dividida em relação à exigência da comprovação da ocorrência de dano efetivo com a ausência de registro na CPTS do empregado, além da conduta culposa do empregador e do nexo causal, para a sua condenação no pagamento de indenização por danos morais.
Observa-se também que não há controvérsia sobre a culpa do empregador nestes ou em outros acórdãos, tendo em vista que a conduta do empregador que se abstém de registrar o contrato de trabalho na CTPS do empregado se refere a um abuso de direito (Art. 187 do CC) de seu poder diretivo, devendo responder de forma objetiva.
Nesse sentido, sobre o artigo 187 do Código Civil vigente atualmente, assim explica o autor Sérgio Cavalieri Filho:

Depreende-se da redação desse artigo, em primeiro lugar, que a concepção adotada em relação ao abuso do direito é a objetiva, pois não é necessária a consciência de se excederem, com o seu exercício, os limites impostos pela boa-fé, pelos bons costumes ou pelo fim social ou econômico do direito; basta que se excedam esses limites.[4]

Em sintonia a esta tese, assim é o teor do Enunciado n° 37, resultante das Jornadas de Direito Civil, realizadas pelo Conselho da Justiça Federal: “Art. 187: A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico.”[5]
Assim, observa-se que, mesmo sendo a jurisprudência dividida em relação à necessidade de comprovação de dano efetivo para que haja a indenização pela ausência de registro do empregado, por outro lado observa-se que, nestes casos, não há necessidade de comprovação de culpa, pois tendo a empresa o conhecimento da obrigação de registrar os empregados, não haveria como se cogitar em necessidade de provar a culpa do empregador, que cometeu ato ilícito de forma consciente, sendo a sua responsabilidade, portanto, objetiva.


CONCLUSÃO


É indiscutível que o sentimento com a ausência de registro excede o mero incômodo do cotidiano, pois o trabalhador se vê a margem da sociedade, desamparado pela previdência social, em casos de acidentes ou até em uma futura aposentadoria, sem a possibilidade de obter crédito do sistema financeiro, sem poder contar com o FGTS e Seguro Desemprego quando dispensado, dentre outras situações ofensivas a sua honra e imagem, além de outras consequências que futuramente poderiam prejudicar o obreiro.
E essa situação causa ao trabalhador, diariamente, um sofrimento que o atinge em sua imagem, honra e intimidade, o que no âmbito jurídico considera-se como dano moral, por haver agressão aos seus direitos fundamentais e à sua dignidade humana, sendo perfeitamente possível a condenação da empresa no pagamento de indenização pelo dano moral causado pela ausência de registro no CTPS do trabalhador.
Há apenas divergência, como discorrido oportunamente, sobre a obrigatoriedade da comprovação do dano efetivo.
Parte da jurisprudência defende que é necessária a comprovação de dano, como, por exemplo, a impossibilidade de recebimento de benefício previdenciário quando acidentado, dentre outras hipóteses concretas.
Em sentido diverso, outro segmento jurisprudencial defende ser cabível a indenização por dano moral decorrente da ausência de registro do contrato de trabalho tão somente pela ocorrência da conduta ilícita. Esta corrente sustenta que a conduta do empregador que não registra o empregado configura-se como ato ilícito notoriamente ofensivo ao trabalhador, causando um dano in re ipsa, que pode ser constatado pela mera ocorrência da conduta ilícita, pela gravidade da conduta ou por ser impossível a prova.
Vislumbramos ser mais adequada à efetividade dos direitos sociais e fundamentais do trabalhador esta última corrente jurisprudencial, uma vez que não há como se exigir a comprovação de um dano palpável, porque o dano moral, nestes casos, se configura in re ipsa, por conta da gravidade da conduta e por ser impossível a demonstração de danos e consequências concretas, principalmente pela impossibilidade de provar a negativa de direitos em decorrência de ausência de registro em CTPS, o preconceito que o trabalhador informal sofre perante a sociedade, a insegurança jurídica, dentre outras ofensas à imagem e honra do trabalhador, causadas por esta espécie de conduta. Na maioria das vezes o prejuízo decorrente da ausência de registro em CTPS não é documentado nem testemunhado.
E, como visto, também não há necessidade de comprovação de culpa do empregador, sendo impossível sustentar-se em sua defesa a ausência de culpabilidade pela falta de registro, pois esta conduta constitui um abuso de seu direito ao poder diretivo, cuja responsabilidade dele decorrente é objetiva.
Assim, mostra-se juridicamente possível e socialmente relevante a condenação da empresa no pagamento de indenização pelo dano moral, quando deixa de registrar a CTPS do empregado, devendo ser responsabilizada independentemente de comprovação de sua culpa e de prova do dano, a qual, se fosse exigida, tornaria inalcançável a devida reparação civil na hipótese estudada.
Aliás, a indenização pelo dano moral nestas situações teria funções extremamente importantes às relações sociais, tendo em vista que, além de reparar o dano causado ao empregado, desmotivar a reiteração de condutas da empresa ofensora e de outras, também seria um incentivo à formalização de contratos de trabalho, que atualmente está longe de abranger todos os empregados do país, o que também resultaria em maior arrecadação de contribuições sociais, sem contar, ainda, que haveria maior efetividade dos direitos sociais e fundamentais do trabalhador, que são colocados em risco também no momento em que se ofende a sua identidade profissional, com a ausência de registro do contrato de trabalho.

REFERÊNCIAS

CARRION, Valentim. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. 37ª. ed. atual. por Eduardo Carrion. São Paulo: Ed. Saraiva, 2012.

CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 13. ed. São Paulo: LTr, 2014.

GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Manual de direito do trabalho. 7. ed. rev. atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2015.

GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

JORNADAS de direito civil I, III, IV e V: enunciados aprovados. Conselho da Justiça Federal. Brasília, DF. Disponível em: <http://www.cjf.jus.br/CEJ-Coedi/jornadas-cej/enunciados-aprovados-da-i-iii-iv-e-v-jornada-de-direito-civil/compilacaoenunciadosaprovados1-3-4jornadadircivilnum.pdf>. Acesso em 23 ago. 2015.




* Evandro de Oliveira Tinti é Advogado e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Escola Paulista de Direito – EPD.

[1] GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 670.
[2] Ibid., p. 699.
[3] CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2012, p. 97.
[4] CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2012, p. 173.
[5] JORNADAS de direito civil I, III, IV e V: enunciados aprovados. Conselho da Justiça Federal. Brasília, DF. Disponível em: <http://www.cjf.jus.br/CEJ-Coedi/jornadas-cej/enunciados-aprovados-da-i-iii-iv-e-v-jornada-de-direito-civil/compilacaoenunciadosaprovados1-3-4jornadadircivilnum.pdf>. Acesso em 23 ago. 2015.


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Publicado na Revista LTr - Suplemento Trabalhista em outubro/2015.

COMO REFERENCIAR: TINTI, Evandro de Oliveira. Responsabilidade civil do empregador pela ausência de registro do contrato de trabalho . LTr Suplemento Trabalhista. São Paulo, v. 51, n. 121, p. 625-630, outubro, 2015.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Dia das Crianças e Direito do Trabalho










QUE TODOS LUTEM POR UM FUTURO ONDE AS PESSOAS TENHAM OPORTUNIDADE DE EFETIVAMENTE APROVEITAR CADA FASE DE SUA VIDA, ESPECIALMENTE A INFÂNCIA E A ADOLESCÊNCIA, LIVRE DE QUALQUER EXPLORAÇÃO OU OPRESSÃO!!!


FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!!

DICA DE LIVRO - Germinal - Émile Zola


Boa tarde caros leitores, vamos à mais uma indicação de livro, desta vez com um livro que tem referência direta com a situação dos trabalhadores assalariados modernos, chamado Germinal, que foi publicado em 1885.

Este livro, escrito por Émile Zola, é uma das obras mais relevantes do gênero literário denominado naturalismo, especialmente por se basear em fatos verídicos.

Em resumo, o livro trata da situação dos trabalhadores em uma mina de carvão na França, no século XIX, e as consequências que a sua realidade precária exerce em sua vida social, sua individualidade, seus relacionamentos e até mesmo sua saúde, além de demonstrar a importância da união dos trabalhadores em prol de interesses comuns.

Claro que a conjuntura descrita pelo autor se estende à situação de trabalhadores por todo o mundo e ao longo de várias épocas, inclusive atualmente, com algumas alterações, sendo muito importante a sua leitura para formação de reflexões sobre as relações de trabalho modernas.

O que contribuiu para a riqueza de detalhes do livro foi a experiência que o autor passou ao trabalhar em uma mina de carvão por cerca de dois meses, com o propósito de entender a realidade dos trabalhadores.

A Obra é de domínio público, e está disponível na internet.


BOA LEITURA!!!

(Publicado originalmente no blog Debates de Direito do Trabalho, em 12/10/2016)

DICA DE LIVRO - As doenças dos trabalhadores - Bernardino Ramazzini


"Olá caro leitor, pretendo começar a postar aqui no blog, sempre que possível, indicações de livros jurídicos ou não jurídicos, que possam ser de interesse dos leitores.

O primeiro livro é intitulado “As doenças dos trabalhadores” (no original, "De Morbis Artificum Diatriba"), e foi escrito no ano de 1700, por Bernardino Ramazzini, médico italiano, que até atualmente é considerado o pai da medicina do trabalho.

Isso porque este livro foi precursor da medicina do trabalho, voltada ao estudo da saúde e higiene dos trabalhadores, fazendo o autor uma análise minuciosa das doenças relacionadas às profissões que pesquisou.

Para escrever este livro o autor passou diversos meses acompanhando trabalhadores das mais diversas profissões, mais de cinqüenta, tais como os mineiros, os químicos, os ferreiros, os vidraceiros (no caso, os fabricantes de vidros e espelhos), os pintores, dentre outros, e também uniu suas analises ao conhecimento médico da época, para tecer diversas conclusões sobre doenças específicas decorrentes do exercício daquelas profissões, criando uma verdadeira enciclopédia sobre o tema.

O autor vai além e, no prefácio, diz que o médico, dentre as perguntas básicas que faz a um paciente para chegar ao diagnóstico deveria incluir uma pergunta essencial, que seria “que arte exerce?”, no sentido de qual profissão o paciente exerce, pois isso diria muito sobre seus sintomas e doenças.

Concluindo, embora o livro não seja jurídico, e não traga os conhecimentos científicos mais modernos em medicina do trabalho, ainda assim há certas análises e comentários do autor que se mantém atualizadas, e acima de tudo demonstra a importância cada vez mais crescente da matéria Saúde, Medicina, Higiene e Segurança do Trabalho no Brasil e no mundo.

Lebrando apenas que a FUNDACENTRO disponibiliza este livro em “pdf” neste link:


Aproveitem!!!
Boa leitura!!"

(Publicado originalmente no blog Debates de Direito do Trabalho, em 02/10/2016)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações pelo Brasil


          Desde o começo de junho de 2013 presenciamos o início de uma manifestação cada vez mais gravada na história do país, que demonstra união e que, ao contrário do que diz a música "os jovem do Brasil não são levados a sério", estão os jovens se reafirmando no cenário nacional, obrigando a todos os políticos e capitalistas a levá-los a sério.

          Acima de tudo, as manifestações revelam que mesmo pessoas com interesses e opiniões diferentes tem capacidade de se unir para o bem comum: um Brasil que seja igual em oportunidades e que cada pessoa pode alcançar sua felicidade, da sua maneira.

          Portanto, a nossa luta não deve ser no sentido literal de conflitos físicos, mas um conflito de ideias, onde o objetivo central de todos é o bem comum, a igualdade material, a irmandade real.

          Vale a paráfrase: Brasileiros de todo o mundo, uni-vos!!!


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E.O.T.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Alunos do Direito das Fipa realizam doações a entidade beneficente de Catanduva


No último sábado, dia 15/12, alunos do curso de Direito das Faculdades Integradas Padre Albino realizaram a doação de alimentos, roupas, e produtos de higiene pessoal e limpeza para a Associação Beneficente Amigo Germano.

Estes produtos foram arrecadados pelos alunos integrantes do Centro Acadêmico Alysson Mascaro, por meio de um projeto solidário criado em outubro deste ano, que consiste na arrecadação mensal junto a alunos e professores, de produtos ou dinheiro, sendo que este é revertido na compra de alimentos para doação.

De acordo com o presidente do Centro Acadêmico na gestão 2012, Evandro de Oliveira Tinti, “nos dois últimos meses conseguimos arrecadar o total de 186,7 kg de alimentos e 48 litros de leite, sem contar os vários produtos de higiene e limpeza e roupas”.

Ele ainda completa: “nós do Centro Acadêmico ficamos muito felizes com o montante arrecadado, o que indica a conscientização e preocupação constante dos jovens estudantes e dos professores em fazer a sua parte para alcançarmos uma sociedade mais justa e igualitária.”

A partir do ano que vem com a volta às aulas, os alunos do Centro Acadêmico pretendem dar continuidade ao projeto, se possível levando-o para fora dos limites da faculdade e diversificando as instituições beneficiadas pelo projeto. Mais informações pelo e-mail: evandrotinti@hotmail.com.


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E.O.T.

domingo, 27 de março de 2011

DENÚNCIA - Fiscalização liberta 16 de duas propriedades pecuárias

Para que todos os que defendem o sistema do agronegócio percebam o erro que cometem.
Para que as pessoas entendam o real objetivo de quem tem mais poder (lucro).
Para que todos entendam o que um capitalista escolhe entre o lucro e o ser humano.

VEJAM A SEGUINTE NOTÍCIA!!!

"Fiscalização liberta 16 de duas propriedades pecuárias
Repórter Brasil*

27 de março de 2011 às 10:48h
Por Bianca Pyl

Um grupo de 16 pessoas, incluindo um adolescente de 12 anos, foi libertado de condições análogas à escravidão pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que reúne membros do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). A ação ocorreu em duas fazendas no Pará, na segunda quinzena de fevereiro.
Na Fazenda Santa Luzia, que está registrada em nome de Gustavo Araújo da Nóbrega, foram flagrados sete vítimas da escravidão contemporânea. A atividade desenvolvida na área, localizada em São Geraldo do Araguaia (PA), é a criação de gado bovino. Além dos libertados, havia mais cinco empregados com registro e morando em alojamentos em condições melhores, de acordo com Alexandre Elias, auditor fiscal que participou da ação.

Não havia água potável para consumo. A água consumida era retirada de um córrego, que também era utilizado pelos trabalhadores como ponto para banho. A alimentação não era garantida pelo empregador; as próprias vítimas eram obrigadas a comprar comida e preparar as refeições. Instalações sanitárias e energia elétrica também não eram oferecidas.

O alojamento era uma construção de madeira que apresentava frestas. Os buracos possibilitavam a entrada de animais peçonhentos, fator de risco para a segurança e saúde dos alojados. No galpão coletivo, havia homens e mulheres. Alguns estavam no local junto com suas famílias – o que não é permitido, conforme a Norma Regulamentadora 31 (NR 31)

A admissão dos empregados ocorreu entre outubro do ano passado e fevereiro deste ano. A maioria mora na região de São Geraldo do Araguaia (PA). Eles construíam cercas na fazenda, aplicavam produtos químicos (agrotóxicos) e limpavam a área que formaria o pasto.

Após assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), proposto pelos procuradores do MPT que acompanharam a ação, o proprietário pagou cerca de R$ 15 mil em verbas rescisórias aos libertados. As irregularidades encontradas ensejaram a lavratura de 13 autos de infração.

Mais vítimas
Ainda com a operação em curso, a fiscalização recebeu mais uma denúncia de exploração de trabalho escravo. Na Fazenda Nossa Senhora de Fátima, que pertence à Cristiani de Jesus Mendonça e está localizada na zona rural de Novo Repartimento (PA), foram encontradas mais nove pessoas que estavam sendo submetidas a condições análogas à escravidão.

Ao todo, 11 trabalhadores estavam no local. Dois deles – a cozinheira e o vaqueiro – estavam em condições regulares de alojamento e não foram resgatados. Um adolescente de 12 anos também foi resgatado do local e recebeu as verbas trabalhistas rescisórias as quais tinha direito. Por ter menos de 18 anos, ele não pode receber, as três parcelas do Seguro-Desemprego para Trabalhador Resgatado, como os adultos.

Além disso, um idoso enfermo também foi afastado do trabalho. “Foi emitida a Comunicação de Acidente do Trabalho [CAT] e da estabilidade. Por isso, não foi requerido o Seguro-Desemprego”, informou o auditor fiscal Alexandre. A fiscalização suspeita que o trabalhador ficou doente por conta da aplicação de agrotóxicos sem a devida proteção.

Os empregados exerciam as funções de limpeza do pasto, montagem de cerca e aplicação de agrotóxicos. Eles foram aliciados em Novo Repartimento (PA) mesmo e no município de Açailândia (MA). Os alojamentos estavam em condições precárias: as instalações sanitárias, por exemplo, estavam quebradas. Uma família inteira vivia junto com outros empregados.

A empregadora assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Cada trabalhador recebeu R$ 2,5 mil por dano moral individual. No total, Cristiani pagou mais de R$ 26 mil aos trabalhadores. Os representantes do MTE na operação emitiram 16 autos de infração.

A Repórter Brasil não conseguiu contactar os dois empregadores para colher a posição dos mesmos em relação às fiscalizações."

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/fiscalizacao-liberta-16-de-duas-propriedades-pecuarias


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E.O.T.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ótimo texto do LFG

Grande parte da violência seria para garantir a exploração econômica

Uma primeira resposta possível (à indagação sobre a quem interessa todas as mortes geradas pelo poder estatal no Brasil): a máquina torturante e cruel do Estado (agentes de repressão) mata (e tortura) para, desde logo, manter e reforçar o seu poder de controle social. O escopo, primeiro, como se vê, é institucional (é preciso firmar o espaço da instituição, é preciso cumprir suas tarefas, que são cobradas diariamente pela população e pela mídia).


Nossa cultura é de resolver conflitos pela violência
Nós brasileiros somos violentos? Estamos em guerra civil?

De outro lado, sem que haja qualquer tipo de conspiração concertada, parece certo que a soma de todas as violências praticadas por todas as instituições oficiais (agências repressivas ou não) serve também a uma finalidade camuflada, escondida, que é a de preservação do sistema político e econômico-financeiro (que instituiu no nosso país uma forma de exploração econômica).

Se nossa guerra diária não deriva de razões religiosas nem territoriais, se não se trata de uma invasão de estrangeiros etc., só pode ser para a preservação dos poderes institucionais e, em última instância, do sistema político e econômico-financeiro vigente, que deita suas raízes na exploração econômica de alguns seguimentos sociais (os dependentes).

Para garantir essa exploração econômica (que vem de 1500) nosso país já foi construído de forma desigual, difundindo-se (no último século) favelas por todos os lados. Esse modelo de Estado (em que um grupo explora o outro grupo) é extremamente conflitivo.

Para conter os conflitos é preciso controle. E o controle é feito por meio da violência. Daí a segregação das periferias, a conservação e reprodução das masmorras e dos métodos de tortura, a disseminação dos grupos de extermínio, a garantia da impunidade de praticamente todas as atrocidades e violações de direitos humanos, a industrialização da marginalização étnica e social, a criação das prisões-jaulas para os miseráveis serem aí depositados (como bichos), a cultivação do extremismo étnico, a propagação das discriminações, o incentivo da cegueira religiosa, a não limitação do fanatismo político e ideológico, a organização da nossa vida em postulados eugenistas (mortes profiláticas, limpeza), a difusão do terrorismo urbano para a manutenção da ordem, a eliminação de pessoas (dos “inimigos”), a impunidade dos agentes torturadores etc.

Quem mata e quem morre? A violência da máquina de guerra do Estado (agentes da repressão) está vitimizando quem? E quem está matando em nome da manutenção do controle social? Manifeste. Dê sua opinião."
por Luis Flávio Gomes

fonte: http://www.blogdolfg.com.br/cultura-da-nao-violencia/grande-parte-da-violencia-seria-para-garantir-a-exploracao-economica/

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E.O.T.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CARTA MAIOR - Wall Street contra os pobres e a classe média

"O novo orçamento de Obama é uma continuação da guerra de classe da Wall Street contra os pobres e as camadas médias. As oligarquias dominantes atacaram novamente, desta vez através do orçamento federal. O governo dos EUA tem um enorme orçamento militar e de segurança. Ele é tão grande quanto os orçamentos do resto do mundo somados. Os orçamentos do Pentágono, da CIA e da Segurança Interna representam US$1,1 trilhão do déficit federal que a administração Obama prevê para o ano fiscal de 2012. O artigo é de Paul Craig Roberts."

Leia na íntegra: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17466


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E.O.T.

BRASIL DE FATO: "McDonald´s: Maus tratos e superexploração"

"Nesta semana, nas bancas, o jornal Brasil de Fato traz uma grande reportagem sobre a superexploração e maus tratos que sofrem os jovens e adolescentes na maior rede fastfood do mundo. Confira a seguir trechos:

“Uma vez eu estava com uma bandeja cheia de lanches prontos para serem entregues e escorreguei. Quando ia caindo no chão, meu coordenador viu, segurou a bandeja, me deixou cair e disse: 'primeiro o rendimento, depois o funcionário'”, conta Kelly, que trabalhou na rede de restaurantes fast food McDonald´s por cinco meses.

“Lá você não pode ficar parado, se sentar leva bronca”, relata Lúcio, de 16 anos, que há 4 meses trabalha em uma das lojas da rede na cidade de São Paulo. “Você não tem tempo nem para beber água direito”, completa José, de 17 anos. “Uma vez eu queimei a mão, falei para a fiscal e ela disse para eu continuar trabalhando”, lembra o adolescente. Maria, de 16 anos, ainda afirma que, apesar da intensa jornada de trabalho nos restaurantes, recebe apenas R$ 2,38 por hora trabalhada.

Os relatos acima retratam o dia-a-dia dos funcionários do McDonald´s. Assédio moral, falta de comunicação de acidentes de trabalho, ausência de condições mínimas de conforto para os trabalhadores, extensão da jornada de trabalho além do permitido por lei e fornecimento de alimentação inadequada são algumas das irregularidades apontadas por trabalhadores da maior rede de fast food do mundo.

Somente no Brasil, o McDonald´s tem mais de 600 lojas e emprega 34 mil funcionários, em sua maioria jovens de 16 a 24 anos.

As relações de trabalho impostas pelo McDonald´s são objetos de estudo de muitos pesquisadores. Do mesmo modo, pelas irregularidades recorrentes, a rede de fast food é alvo de diversas denúncias na Justiça do Trabalho.

Em São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Restaurantes de São Paulo (Sinthoresp), ao longo dos anos, tem denunciado as más condições a que são submetidos os funcionários do McDonald´s.

Recentemente, resultou em uma punição ao McDonald´s uma denúncia feita há quinze anos pelo sindicato ao Ministério Público do Trabalho (MPT) da 2ª Região, em São Paulo. Trata-se de um acordo que, além de exigir o cumprimento de adequações trabalhistas, estabelece o pagamento de uma multa de R$ 13,2 milhões.

Desse valor, a rede de fast food deve destinar R$ 11,7 milhões ao financiamento de publicidade contra o trabalho infantil e à divulgação dos direitos da criança e do adolescente durante os próximos nove anos. Além disso, a rede deve doar R$ 1,5 milhão para o Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O compromisso foi firmado em outubro de 2010 e passou a valer em janeiro deste ano.

As investigações realizadas pelo MPT a partir da denúncia do Sinthoresp confirmaram as seguintes irregularidades: não emissão dos Comunicados de Acidente de Trabalho (CAT); falta de efetividade na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; licenças sanitárias e de funcionamento vencidas ou sem prazo de validade, prorrogação da jornada de trabalho além das duas horas extras diárias permitidas por lei, ausência do período mínimo de 11 horas de descanso entre duas jornadas e o cumprimento de toda a jornada de trabalho em pé, sem um local para repouso.

O MPT também apontou irregularidades na alimentação fornecida aos trabalhadores: apesar de oferecer um cardápio com variadas opções, o laudo da prefeitura de São Paulo reprovou as refeições baseadas exclusivamente em produtos da própria empresa por não atender às necessidades nutricionais diárias. Em relação à alimentação, o McDonald´s chegou a ser condenado, em outubro de 2010, pela Justiça do Rio Grande do Sul a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que, após trabalhar 12 anos e se alimentar diariamente com os lanches fornecidos pela rede de fast food, engordou 30 quilos. (A reportagem completa você lê na edição impressa número 417 do jornal Brasil de Fato).

*Os nomes dos funcionários citados na matéria são fictícios."

fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/5780

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E.O.T.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ótimo texto sobre a tão esperada "Reforma Política", do Autor Milton Temer, no site do PSOL

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"Os principais colunistas políticos do Globo entraram pesado, nesta semana, na pauta da Reforma Política. E, como era de se esperar, entraram para atender ao senso comum, conservador e reacionário. ..."
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Leia na íntegra:

http://socialismo.org.br/portal/politica/47-artigo/1896-reforma-politica-dando-nome-aos-bodes



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E.O.T.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mais um ótimo texto, agora de Millôr Fernandes

High Tech - Millor Fernandes

"Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação , chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O. - que representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada e nem ligado.

É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo! Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel recicláveis e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantém automaticamente em uma seqüência correta.

Por meio do uso intensivo do recurso T.P.O . - Tecnologia do Papel Opaco -, permite que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade! Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer o L.I.V.R.O. com mais informações basta usar mais páginas. Isso porém os torna mais grossos e mais difíceis de ser transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para o CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário. Outra vantagem do sistema é que ,quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento , bastando abri-lo.

Ele nunca apresenta "ERRO GERAL DE PROTEÇÃO", nem precisa ser reinicializado ,embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo. O comando browser permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento "índice" instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.

Um acessório opcional, o marca páginas, permite que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página , caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. por meio de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicações Simplificada - L.Á.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades utilizando plataforma L.I.V.R.O.”


E.O.T.